A meditação hoje está se tornando muito mais comum no mundo
ocidental. Há vários motivos pelos quais isto pode estar acontecendo: moda,
divulgação pela mídia, pesquisas científicas que provam seu valor ou… há uma
onda acontecendo, uma onda de despertamento, de busca de consciência. Acho que
há um pouco de tudo isso, mas pessoalmente, sinto esta onda vibrando
intensamente.
Eu medito desde 2005. Procurei para aliviar o estresse… ou
assim pensei. Hoje sei que a busca era muito mais profunda, ditada por uma
necessidade interior intensa de autoconhecimento, de autoaceitação, de busca
pela minha essência, de busca por respostas.
Olhando para trás, vejo que se formou um movimento na minha
vida depois que busquei a meditação. Como naquela fileira de dominós, em que
uma primeira peça é tombada e as outras vêm na sequência, várias mudanças foram
acontecendo: mudou (e continua mudando) minha visão de mundo, mudou minha
alimentação, mudou meu entendimento da vida e da espiritualidade… as peças
foram tombando e vão continuar a tombar até o fim da minha existência, porque o
crescimento é diário e contínuo e vai seguir até o último suspiro.
A meditação é uma prática de encontro com nosso eu mais
profundo, no silêncio e na quietude. É um momento em que nos calamos para ouvir
e entrar em contato com aquilo que, no fundo, já sabemos.
O que nós, ocidentais, estamos descobrindo tão recentemente
é, na verdade, uma prática milenar. Existem diversos tipos de meditação e cada
um deve procurar encontrar aquela (ou aquelas) com a qual mais se identifica e
se sente mais à vontade. Mas, independentemente do tipo de meditação, cinco
mitos são comuns a todas elas.
O segundo mito da meditação é o de que algo diferente,
transcendente, vai acontecer durante a prática. Isso pode acontecer ou não.
Mas não é uma exigência. E os ganhos da meditação não dependem de que algo
diferente aconteça. Os benefícios emocionais, físicos e espirituais independem
de sensações espetaculares. A meditação é simples. É silêncio. Se você sentir
algo diferente, desfrute. Podem acontecer insights, uma sensação de peso
no corpo, de insensibilidade em partes do corpo. Há quem relate a visão de
cores ou imagens. Mas o mais comum é que não aconteça nenhuma sensação
especial. De novo: desfrute.
O terceiro mito da meditação é o de que não se está
fazendo direito. É muito comum as pessoas acharem que estão errando porque
os pensamentos continuam a vir, ou porque não sentiram nada físico ou não viram
cores. Se você estiver meditando, fique tranquilo: você está fazendo certo. Não
se critique. Não se julgue. Apenas se entregue. Não se concentre. A
concentração é o oposto da meditação. Ela é entrega pura e simples. E não há
uma meditação igual à outra. E por quê? Porque cada dia é um dia e nós reagimos
a tudo – desde o clima, as experiências do dia, os acontecimentos à nossa volta.
Haverá dias em que a meditação será profunda. Em outros estaremos mais
propensos a nos apegar aos pensamentos. Tudo bem!! Nada de errado nisso.
Aceite. Entregue-se.
Quarto mito: se eu meditar o bastante, alcançarei a
iluminação. Esta é uma das questões mais profundas da meditação. Você não
vai alcançar a iluminação porque você já é, no seu eu mais profundo, um
ser iluminado e puro. O que acontece é que ao longo de sua vida você foi sendo
condicionado e foi vestindo camadas e mais camadas de interpretações, papéis,
entendimentos. Tudo isso encobriu aquele ser puro e iluminado que você já é na
sua essência. A prática constante da meditação vai removendo camada por camada
de condicionamento de modo que você tenha vislumbres deste ser puro e inteiro
que já existe na sua essência. O que ocorre não é iluminação, mas despertamento
para este ser iluminado.
E chegamos ao quinto mito: com a meditação me tornarei um
ser superior, porque ficarei mais espiritualizado. Há um grande equívoco
aqui. É certo que a prática da meditação vai conectá-lo mais intensamente com a
sua fonte, sua universalidade. E é certo que haverá evolução. Mas nenhum ser é
superior a outro porque medita ou não. Por mais que você ganhe entendimento,
por mais que você se espiritualize, você não será nem mais nem menos que
ninguém. Se esse pensamento surgir, será o ego se manifestando.
Se você não é ainda um meditante, ouse…
Leitura recomendada: A Bíblia da meditação.
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