30 dezembro 2013

A meditação e seus mitos


A meditação hoje está se tornando muito mais comum no mundo ocidental. Há vários motivos pelos quais isto pode estar acontecendo: moda, divulgação pela mídia, pesquisas científicas que provam seu valor ou… há uma onda acontecendo, uma onda de despertamento, de busca de consciência. Acho que há um pouco de tudo isso, mas pessoalmente, sinto esta onda vibrando intensamente.

Eu medito desde 2005. Procurei para aliviar o estresse… ou assim pensei. Hoje sei que a busca era muito mais profunda, ditada por uma necessidade interior intensa de autoconhecimento, de autoaceitação, de busca pela minha essência, de busca por respostas.

Olhando para trás, vejo que se formou um movimento na minha vida depois que busquei a meditação. Como naquela fileira de dominós, em que uma primeira peça é tombada e as outras vêm na sequência, várias mudanças foram acontecendo: mudou (e continua mudando) minha visão de mundo, mudou minha alimentação, mudou meu entendimento da vida e da espiritualidade… as peças foram tombando e vão continuar a tombar até o fim da minha existência, porque o crescimento é diário e contínuo e vai seguir até o último suspiro.

A meditação é uma prática de encontro com nosso eu mais profundo, no silêncio e na quietude. É um momento em que nos calamos para ouvir e entrar em contato com aquilo que, no fundo, já sabemos.
O que nós, ocidentais, estamos descobrindo tão recentemente é, na verdade, uma prática milenar. Existem diversos tipos de meditação e cada um deve procurar encontrar aquela (ou aquelas) com a qual mais se identifica e se sente mais à vontade. Mas, independentemente do tipo de meditação, cinco mitos são comuns a todas elas.


O primeiro mito é o da interrupção dos pensamentos, o parar de pensar. Isso não acontece. Nós temos entre 60 mil a 80 mil pensamentos por dia. Elea vêm e continuarão a vir durante a meditação. O que, na realidade, ocorre é que aprendemos a não nos apegar a eles. Eles vêm e passam, e não pegamos carona. Deixamos que eles passem – como as nuvens no céu, que vêm e vão, seguindo seu curso. Ocorre, no entanto, que às vezes nos deixamos levar pelos pensamentos, seguimos com eles o seu curso – e então nossa mente agitada toma conta. Nesse momento, o que temos de fazer é apenas retornar ao nosso mantra, à nossa respiração, sem nos chicotearmos porque não estamos “vazios”, porque nosso pensamento nos arrebatou. Não… apenas volte, sem cobranças, sem julgamentos. É assim mesmo que acontece.

O segundo mito da meditação é o de que algo diferente, transcendente, vai acontecer durante a prática. Isso pode acontecer ou não. Mas não é uma exigência. E os ganhos da meditação não dependem de que algo diferente aconteça. Os benefícios emocionais, físicos e espirituais independem de sensações espetaculares. A meditação é simples. É silêncio. Se você sentir algo diferente, desfrute. Podem acontecer insights, uma sensação de peso no corpo, de insensibilidade em partes do corpo. Há quem relate a visão de cores ou imagens. Mas o mais comum é que não aconteça nenhuma sensação especial. De novo: desfrute.

O terceiro mito da meditação é o de que não se está fazendo direito. É muito comum as pessoas acharem que estão errando porque os pensamentos continuam a vir, ou porque não sentiram nada físico ou não viram cores. Se você estiver meditando, fique tranquilo: você está fazendo certo. Não se critique. Não se julgue. Apenas se entregue. Não se concentre. A concentração é o oposto da meditação. Ela é entrega pura e simples. E não há uma meditação igual à outra. E por quê? Porque cada dia é um dia e nós reagimos a tudo – desde o clima, as experiências do dia, os acontecimentos à nossa volta. Haverá dias em que a meditação será profunda. Em outros estaremos mais propensos a nos apegar aos pensamentos. Tudo bem!! Nada de errado nisso. Aceite. Entregue-se.

Quarto mito: se eu meditar o bastante, alcançarei a iluminação. Esta é uma das questões mais profundas da meditação. Você não vai alcançar a iluminação porque você já é, no seu eu mais profundo, um ser iluminado e puro. O que acontece é que ao longo de sua vida você foi sendo condicionado e foi vestindo camadas e mais camadas de interpretações, papéis, entendimentos. Tudo isso encobriu aquele ser puro e iluminado que você já é na sua essência. A prática constante da meditação vai removendo camada por camada de condicionamento de modo que você tenha vislumbres deste ser puro e inteiro que já existe na sua essência. O que ocorre não é iluminação, mas despertamento para este ser iluminado.

E chegamos ao quinto mito: com a meditação me tornarei um ser superior, porque ficarei mais espiritualizado. Há um grande equívoco aqui. É certo que a prática da meditação vai conectá-lo mais intensamente com a sua fonte, sua universalidade. E é certo que haverá evolução. Mas nenhum ser é superior a outro porque medita ou não. Por mais que você ganhe entendimento, por mais que você se espiritualize, você não será nem mais nem menos que ninguém. Se esse pensamento surgir, será o ego se manifestando.

Se você não é ainda um meditante, ouse…

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