02 julho 2013

Esse medo que nos acompanha



Outro dia uma pessoa me disse que morria de medo do futuro.  Sua angústia me fez parar para refletir sobre esse sentimento que todo ser humano, sem exceção, possui.

O medo é, antes de tudo, uma reação de defesa. Ele nos protege de perigos reais e nos põe em alerta contra possíveis ameaças. No entanto, na maioria das vezes o medo é uma falsa evidência que parece real. É uma falsa projeção do que o futuro pode reservar. Um palpite. Um desejo. Um momento em que acreditamos que somos capazes de prever o que vai acontecer.

O medo é uma emoção interessante porque o contrário dele é o amor e a confiança. E se pudermos confiar que o próximo momento, ou este momento, por mais difícil que pareça, é o momento apropriado, perfeito e sagrado, poderemos superar o medo. Nós temos medo da incerteza; temos medo da escassez; temos medo da solidão; temos medo de sermos inadequados e de que não chegaremos aonde devemos estar. E nada disso poderia ser mais falso.
Só que esses medos irreais nos paralisam e assustam, impedindo-nos de seguir em frente e agir concretamente. Eles nos mantêm num mundo de fantasia no qual acreditamos  que aquilo que criamos vai efetivamente acontecer. Esses medos são tão reais quanto qualquer acontecimento em nossa vida.

Mas eles são os pedaços mais sombrios de nossa imaginação.  São invenções daquela parte de nós mesmos que não confia. E então os repetimos continuamente como afirmações em nossa mente até que se enrijeçam como concreto. E mesmo que eles nunca se realizem, nós nos agarramos a eles com profunda convicção, de modo que se eles realmente acontecerem, provaremos a nós mesmos que estávamos certos; e se não acontecerem, estaremos tão agarrados a eles que não enxergaremos a beleza daquilo que realmente está acontecendo. 

O medo não nos permite enxergar as oportunidades que estão diante de nós. Ele decora cada pensamento com potencial de se desenvolver. O Buda disse: “Tudo que somos nasce dos nossos pensamentos. Com eles nós criamos nosso mundo”.

E quando nos convencemos de que o que queremos que aconteça não vai acontecer, e o que não queremos que aconteça vai acontecer, então nos tornamos vítimas das nossas fantasias.
Mas não é preciso que seja assim.  Nós somos mais fortes e capazes do que nos acreditamos ser. Quando nos entregamos ao medo é porque não confiamos – seja no divino (qualquer que seja a forma como o entendemos), seja em nossas escolhas e nossa capacidade de tomar decisões corretamente. Não confiamos em nós mesmos. Mas devemos lembrar que em todo momento nós temos uma possibilidade de escolha: podemos escolher o melhor resultado ou o mais doloroso. Podemos direcionar nossos pensamentos para o campo da mais pura potencialidade ou para um lugar de crenças limitantes.

Então pare e observe o medo que há em você. Identifique o que o provoca. Olhe-o de frente. Encare-o – mas sem condenação. Sem julgamento. Sem autocrítica. E decida não se render. Decida viver sem medo. Decida confiar. Decida viver pelo amor que há dentro de você.