Outro dia uma pessoa me disse que
morria de medo do futuro. Sua angústia
me fez parar para refletir sobre esse sentimento que todo ser humano, sem
exceção, possui.
O medo é, antes de tudo, uma reação
de defesa. Ele nos protege de perigos reais e nos põe em alerta contra
possíveis ameaças. No entanto, na maioria das vezes o medo é uma falsa
evidência que parece real. É uma falsa projeção do que o futuro pode reservar. Um
palpite. Um desejo. Um momento em que acreditamos que somos capazes de prever o
que vai acontecer.
O medo é uma emoção interessante
porque o contrário dele é o amor e a confiança. E se pudermos confiar que o
próximo momento, ou este momento, por mais difícil que pareça, é o momento
apropriado, perfeito e sagrado, poderemos superar o medo. Nós temos medo da
incerteza; temos medo da escassez; temos medo da solidão; temos medo de sermos
inadequados e de que não chegaremos aonde devemos estar. E nada disso poderia
ser mais falso.
Só que esses medos irreais nos
paralisam e assustam, impedindo-nos de seguir em frente e agir concretamente.
Eles nos mantêm num mundo de fantasia no qual acreditamos que aquilo que criamos vai efetivamente
acontecer. Esses medos são tão reais quanto qualquer acontecimento em nossa vida.
Mas eles são os pedaços mais sombrios de nossa imaginação. São invenções daquela parte de nós mesmos que
não confia. E então os repetimos continuamente como afirmações em nossa mente
até que se enrijeçam como concreto. E mesmo que eles nunca se realizem, nós nos
agarramos a eles com profunda convicção, de modo que se eles realmente
acontecerem, provaremos a nós mesmos que estávamos certos; e se não
acontecerem, estaremos tão agarrados a eles que não enxergaremos a beleza
daquilo que realmente está acontecendo.
O medo não nos permite enxergar as oportunidades que estão diante de nós. Ele
decora cada pensamento com potencial de se desenvolver. O Buda disse: “Tudo que
somos nasce dos nossos pensamentos. Com eles nós criamos nosso mundo”.
E quando nos convencemos de que o que queremos que aconteça não vai
acontecer, e o que não queremos que aconteça vai acontecer, então nos tornamos
vítimas das nossas fantasias.
Mas não é preciso que seja
assim. Nós somos mais fortes e capazes
do que nos acreditamos ser. Quando nos entregamos ao medo é porque não
confiamos – seja no divino (qualquer que seja a forma como o entendemos), seja
em nossas escolhas e nossa capacidade de tomar decisões corretamente. Não
confiamos em nós mesmos. Mas devemos lembrar que em todo momento nós temos uma
possibilidade de escolha: podemos escolher o melhor resultado ou o mais
doloroso. Podemos direcionar nossos pensamentos para o campo da
mais pura potencialidade ou para um lugar de crenças limitantes.
Então pare e observe o medo que há em você. Identifique o
que o provoca. Olhe-o de frente. Encare-o – mas sem condenação. Sem julgamento.
Sem autocrítica. E decida não se render. Decida viver sem medo. Decida confiar.
Decida viver pelo amor que há dentro de você.