30 dezembro 2013

A meditação e seus mitos


A meditação hoje está se tornando muito mais comum no mundo ocidental. Há vários motivos pelos quais isto pode estar acontecendo: moda, divulgação pela mídia, pesquisas científicas que provam seu valor ou… há uma onda acontecendo, uma onda de despertamento, de busca de consciência. Acho que há um pouco de tudo isso, mas pessoalmente, sinto esta onda vibrando intensamente.

Eu medito desde 2005. Procurei para aliviar o estresse… ou assim pensei. Hoje sei que a busca era muito mais profunda, ditada por uma necessidade interior intensa de autoconhecimento, de autoaceitação, de busca pela minha essência, de busca por respostas.

Olhando para trás, vejo que se formou um movimento na minha vida depois que busquei a meditação. Como naquela fileira de dominós, em que uma primeira peça é tombada e as outras vêm na sequência, várias mudanças foram acontecendo: mudou (e continua mudando) minha visão de mundo, mudou minha alimentação, mudou meu entendimento da vida e da espiritualidade… as peças foram tombando e vão continuar a tombar até o fim da minha existência, porque o crescimento é diário e contínuo e vai seguir até o último suspiro.

A meditação é uma prática de encontro com nosso eu mais profundo, no silêncio e na quietude. É um momento em que nos calamos para ouvir e entrar em contato com aquilo que, no fundo, já sabemos.
O que nós, ocidentais, estamos descobrindo tão recentemente é, na verdade, uma prática milenar. Existem diversos tipos de meditação e cada um deve procurar encontrar aquela (ou aquelas) com a qual mais se identifica e se sente mais à vontade. Mas, independentemente do tipo de meditação, cinco mitos são comuns a todas elas.


O primeiro mito é o da interrupção dos pensamentos, o parar de pensar. Isso não acontece. Nós temos entre 60 mil a 80 mil pensamentos por dia. Elea vêm e continuarão a vir durante a meditação. O que, na realidade, ocorre é que aprendemos a não nos apegar a eles. Eles vêm e passam, e não pegamos carona. Deixamos que eles passem – como as nuvens no céu, que vêm e vão, seguindo seu curso. Ocorre, no entanto, que às vezes nos deixamos levar pelos pensamentos, seguimos com eles o seu curso – e então nossa mente agitada toma conta. Nesse momento, o que temos de fazer é apenas retornar ao nosso mantra, à nossa respiração, sem nos chicotearmos porque não estamos “vazios”, porque nosso pensamento nos arrebatou. Não… apenas volte, sem cobranças, sem julgamentos. É assim mesmo que acontece.

O segundo mito da meditação é o de que algo diferente, transcendente, vai acontecer durante a prática. Isso pode acontecer ou não. Mas não é uma exigência. E os ganhos da meditação não dependem de que algo diferente aconteça. Os benefícios emocionais, físicos e espirituais independem de sensações espetaculares. A meditação é simples. É silêncio. Se você sentir algo diferente, desfrute. Podem acontecer insights, uma sensação de peso no corpo, de insensibilidade em partes do corpo. Há quem relate a visão de cores ou imagens. Mas o mais comum é que não aconteça nenhuma sensação especial. De novo: desfrute.

O terceiro mito da meditação é o de que não se está fazendo direito. É muito comum as pessoas acharem que estão errando porque os pensamentos continuam a vir, ou porque não sentiram nada físico ou não viram cores. Se você estiver meditando, fique tranquilo: você está fazendo certo. Não se critique. Não se julgue. Apenas se entregue. Não se concentre. A concentração é o oposto da meditação. Ela é entrega pura e simples. E não há uma meditação igual à outra. E por quê? Porque cada dia é um dia e nós reagimos a tudo – desde o clima, as experiências do dia, os acontecimentos à nossa volta. Haverá dias em que a meditação será profunda. Em outros estaremos mais propensos a nos apegar aos pensamentos. Tudo bem!! Nada de errado nisso. Aceite. Entregue-se.

Quarto mito: se eu meditar o bastante, alcançarei a iluminação. Esta é uma das questões mais profundas da meditação. Você não vai alcançar a iluminação porque você já é, no seu eu mais profundo, um ser iluminado e puro. O que acontece é que ao longo de sua vida você foi sendo condicionado e foi vestindo camadas e mais camadas de interpretações, papéis, entendimentos. Tudo isso encobriu aquele ser puro e iluminado que você já é na sua essência. A prática constante da meditação vai removendo camada por camada de condicionamento de modo que você tenha vislumbres deste ser puro e inteiro que já existe na sua essência. O que ocorre não é iluminação, mas despertamento para este ser iluminado.

E chegamos ao quinto mito: com a meditação me tornarei um ser superior, porque ficarei mais espiritualizado. Há um grande equívoco aqui. É certo que a prática da meditação vai conectá-lo mais intensamente com a sua fonte, sua universalidade. E é certo que haverá evolução. Mas nenhum ser é superior a outro porque medita ou não. Por mais que você ganhe entendimento, por mais que você se espiritualize, você não será nem mais nem menos que ninguém. Se esse pensamento surgir, será o ego se manifestando.

Se você não é ainda um meditante, ouse…

Leitura recomendada: A Bíblia da meditação.
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22 novembro 2013

Sobre inhame e tumores na mama

EMPLASTRO DE INHAME PUXA TUDO
Sonia Hirsch
 
Furúnculos, cistos sebáceos, unhas encravadas, verrugas, espinhas insistentes, farpas ou cacos de vidro que entram nas mãos ou nos pés. Desinflama cicatrizes, elimina o sangue pisado de contusões, abcessos e tumores. Pode ser usado imediatamente após fraturas ou queimaduras para evitar inchaço e dor, e também em processos inflamatórios de hemorróidas, apendicites, artrites, reumatismos, sinusites, pleurisias, nevralgias, neurites, eczemas. Em caso de tumor no seio ou em outros lugares junto à pele é ótimo usar o emplastro de inhame durante uma semana antes de operar, pois ele vai aumentar esse tumor atraindo toda substância semelhante que houver no interior do corpo e evitar outros tumores. Serve ainda para baixar febres.

MODO DE FAZER E APLICAR O EMPLASTRO DE INHAME
Descasque e rale na parte mais fina do ralador uma quantidade de inhame suficiente para cobrir a área afetada.
Rale também gengibre com casca, 1 parte de gengibre para 10 de inhame. 

Misture tudo com qualquer farinha, só para dar liga. A pasta deve ficar bem úmida.

Aplique sobre a região, cubra com gaze ou outro paninho fino, nunca com plástico ou material sintético. Em algumas horas o emplastro seca; retire com água morna e coloque um novo.

Às vezes o inhame pinica, ou coça, por conter muitos cristais de ácido oxálico. Isso acontece esporadicamente, em determinada safra de determinado local. Nesse caso passe azeite ou óleo na pele antes de colocar o emplastro; a gordura neutraliza a pinicação.

Os da roça dizem que, quando pinica, é porque não deixaram o inhame descansar na terra depois de colher.




A DENOMINAÇÃO CORRETA PARA ESTE INHAME É TARO
Em latim nosso herói se chama Colocasia esculenta (sinônimo Colocasia antiqua), da família Araceae, enquanto o inhame-do-norte e o cará são da família Dioscoreaceae. Como na maior parte dos lugares a denominação inhame se refere à turma da Dioscorea, e o nome predominante da Colocasia pelo mundo afora é taro, no I Simpósio Nacional sobre as Culturas do Inhame e do Cará foram propostas, e aprovadas, as denominações de Inhame para Dioscorea e Taro para Colocasia, uniformizando os termos brasileiros com a denominação internacional, de acordo com os relatos dos pesquisadores Santos, E.S., Cereda, M.P., Pedralli G. e Puiatti, M. (Denominações populares das espécies de Dioscorea e Colocasia no Brasil. Tecnol. & Ciên. Agropec., João Pessoa, v.1, n.1, p.37-41, set. 2007).

OS MUITOS NOMES DA COLOCASIA
inhame em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Portugal
inhame branco, taro, taioba em Portugal (a folha da taioba é semelhante à do taro)
taiá no sul do Brasil
cará e cará chinês em outras regiões brasileiras
taro, cocoyam e dasheen em inglês
dasheen no Caribe
tar, kokosyams em dinamarquês
cocoyam em Gana, Nigéria e Camarões de língua inglesa
qolqas em árabe
taro em russo, alemão, holandês, francês e na Polinésia
aronille em francês
arvi, kachalu, ghuiya em hindu
chamagadda em Angla Pardesh, Índia
colocasia, malanga, yame de canárias, alcocaz e otoe em espanhol
colocasia, taro di egito em italiano
kolokassi em cipriota
kalo no Havaí
yu em mandarim
sato-imo em japonês
toran na Coréia do Sul
khoai mon ou khoai so no Vietnam
dalo nas ilhas Fiji
nduma em kikuyu
amadumbe em zulu
macabo entre os que falam francês em Camarões
yautía em Porto Rico
keladi em malaio
gabi em tagalogue, nas Filipinas
E tem mais: inhame, digo, taro, não é tubérculo nem rizoma. Pasme: é cormo. Com M.


Fonte: Blog da Sonia Hirsch, Deixa Sair

17 novembro 2013

A terapia Gerson

Acho que vale a pena assistir a esse vídeo sobre o tratamento do câncer e outras doenças degenerativas e crônicas criado pelo Dr. Max Gerson. Sou uma adepta da vida e dos tratamentos naturais. Assistam e tirem suas próprias conclusões.


03 novembro 2013

Novembro Azul




No mês passado tivemos o Outubro Rosa, mês da campanha de combate ao câncer de mama. Agora temos o Novembro Azul, campanha de combate ao câncer de próstata e dedicado à informação e prevenção da doença, que é a segunda causa mais comum de morte por câncer em homens no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele.
A próstata é uma glândula auxiliar do sistema genital masculino, localizada na frente do reto e embaixo da bexiga. Ela tem praticamente o tamanho de uma noz e pesa entre 15 e 30 gr.
Sua função é produzir o fluido que protege o nutre os espermatozoides no sêmen. Este líquido produzido pela próstata é importante para a vitalidade dos espermatozoides na fecundação.
É também dentro da próstata que ocorre a transformação do principal hormônio masculino (a testosterona) em diidrotestosterona, que controla o crescimento da glândula. Além da próstata, outras glândulas sexuais importantes nos homens são os testículos e as vesículas seminais. Juntas, essas glândulas secretam os fluidos que compõem o sêmen.




A próstata aumenta pouco na puberdade, atinge aproximadamente 20 gramas por volta dos 20 anos de idade e cresce em média 0,4 gramas por ano a partir dos 30 ou 40 anos. Este aumento não significa câncer. Mas geralmente causa problemas porque estreita a uretra provocando obstrução do fluxo da urina. O importante é que o homem cuide bem de sua saúde e visite um urologista assim que perceba qualquer alteração na próstata.
Em valores absolutos, o câncer de próstata é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalecente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres. Sua taxa de incidência é cerca de seis vezes maior nos países desenvolvidos em comparação com os países em desenvolvimento.
Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida.
Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A grande maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm3 ) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.
Para o diagnóstico, o paciente deve ser submetido ao teste sanguíneo do PSA (proteína encontrada no interior da próstata) e toque retal. É fundamental que todos os homens se mantenham atentos e realizem seus exames anuais, pois raramente a doença apresenta sintomas.

Fonte: INCA e Oncoguia.



06 outubro 2013

Alimentação: a tecnologia mórbida





Henry Kissinger, figura famosa na política mundial, dizia que quem domina a comida domina as pessoas. Não incluíram no pacote as doenças crônicas resultantes do tipo de comida difundida pelo mundo como algo “moderno”, como o hambúrguer e o refrigerante cola – diabetes em adultos, cardiovasculares, câncer e hipertensão, apenas para citar as campeãs nas estatísticas. A OMS informa que 2,8 milhões de pessoas morrem em consequências de doenças associadas ao sobrepeso. E outras 2,2 milhões morrem por intoxicações alimentares.

Porto Alegre – A indústria da alimentação deverá faturar em 2014 US$5,9 trilhões, segundo estimativa da agência britânica dedicada à pesquisa sobre consumo e marcas – The Future Laboratory.
O mercado global de snacks (bolinhos, biscoitos, salgadinhos) deverá movimentar US$334 bilhões.
As vendas de chocolates e confeitos vão faturar US$170 bilhões.
O Brasil consumiu em 2012, 11,3 bilhões de litros de coca-cola, empresa que faturou US$48,02 bilhões, e lucrou US$ 9 bilhões.
Na pesquisa do IBGE comparando 2002-2003 com 2008-2009, o consumo anual de arroz das famílias caiu 40,5% — de 24,5kg para 14,6kg — e o de feijão caiu 26,4% — de 12,4 para 9,1kg.
Os refrigerantes do tipo cola cresceram 39,3% de 9,l litros para 12,7 litros.
No Brasil, 48,5% da população está acima do peso, são 94 milhões de pessoas.
Entre as crianças de 5 a 9 anos o aumento da obesidade multiplicou por quatro nos meninos (de 4,1% para 16,6%) e por cinco entra as meninas – de 2,4% para 11,8%.
Uma em cada 10 crianças abaixo dos seis anos já apresenta sobrepeso.
Nos Estados Unidos 35,7% da população, ou seja, mais de 135 milhões de pessoas são obesas, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) – 17% são jovens.
No mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde o número já atinge 1,5 bilhão de pessoas.
Na China, o índice de obesidade duplicou nos últimos 15 anos, na Índia subiu 20%.
No Brasil, segundo um estudo da Universidade de Brasília, o SUS paga R$488 milhões por ano para tratar doenças ligadas ao aumento do peso.

Moderno doentio


As causas citadas para explicar esta tragédia humana estão associadas à mudança tecnológica, ao estilo de vida das metrópoles, aos hábitos sedentários, a questão prática da vida atual, não deixa tempo para cozinhar, comer em casa, entre outras tantas.
É óbvio que a alimentação está no centro desse problema, que há muito tempo deixou de ter uma abordagem cultural, e precisa ser encarado como uma mudança social, política e econômica.
Henry Kissinger, figura famosa na política mundial, dizia que quem domina a comida domina as pessoas.
Não incluíram no pacote as doenças crônicas resultantes do tipo de comida difundida pelo mundo como algo “moderno”, como o hambúrguer e o refrigerante cola – diabetes em adultos, cardiovasculares, câncer e hipertensão, apenas para citar as campeãs nas estatísticas.
A OMS informa que 2,8 milhões de pessoas morrem em consequências de doenças associadas ao sobrepeso.
E outras 2,2 milhões morrem por intoxicações alimentares, resultante de contaminações de vírus, bactérias, micro-organismos patogênicos e resíduos químicos.
Neste capítulo específico a história é longa.
Um dossiê da Autoridade de Segurança Alimentar e Econômica, de Portugal, usando os dados da União Europeia, contabiliza 100 mil compostos químicos usados correntemente no mundo.
Na União Europeia eles registram 30 mil, produzidos a uma média de uma tonelada por ano, sendo que a metade tem potenciais efeitos adversos à saúde.
“Poucos foram estudados em profundidade suficiente de modo a permitir as estimativas de riscos potenciais de exposição, sobretudo aos seus efeitos de longo prazo, quanto à toxicidade ao nível da reprodução ou do sistema imunológico ou ação carcinogênica” [diz o relatório].
A contaminação pode ocorrer no solo, durante o plantio, no tratamento da planta, depois na colheita e armazenagem, também dos processos industriais, da queima de substâncias que se transformam e pela incorporação de contaminantes e aditivos em alimentos:

“- A prevalência de doenças ou a morte prematura causada por químicos presentes nos alimentos é difícil de demonstrar, devido ao período de tempo, geralmente longo, que decorre entre a exposição a estes agentes e o aparecimento dos efeitos”, registra o documento.

Mentira consistente
O problema é que a comida moderna, saborosa, suculenta, cheirosa vendida pela publicidade no mundo inteiro é uma mentira.
Todos os aspectos citados, incluindo ainda a cor, o tempo de vida na prateleira, a viscosidade, o brilho, o sabor adocicado, ou então o salgadinho bem sequinho, todos são resultado da aplicação de uma lista quase interminável de aditivos químicos.
Inclusive registrada internacionalmente por códigos numerados e divulgada pelo Codex Alimentarius, da ONU.
Por exemplo, o conservante nitrito de sódio é o E-250 e o adoçante artificial acessulfamo-K é o E-950.
Antes de avançar no assunto, um alerta da ONU sobre o uso de componentes químicos na vida moderna:

“O sistema endócrino regula a liberação de certos hormônios que são essenciais para as funções como crescimento, metabolismo e desenvolvimento. Os CDAs, desreguladores endócrinos, podem alterar essas funções aumentando o risco de efeitos advesos à saúde. Os CDAs podem entrar no meio ambiente através de descargas industriais e urbanas, escoamento agrícola e da queima e liberação de resíduos. Alguns CDAs ocorrem naturalmente, enquanto as variedades sintéticas podem ser encontradas em agrotóxicos, produtos eletrônicos, produtos de higiene pessoal e cosméticos. Eles também podem ser encontrados como aditivos ou contaminantes em alimentos”.
O alerta das Nações Unidas é no sentido de realizar “urgentemente” novas pesquisas para avaliar o impacto dos também chamados disruptores endócrinos.
Ocorre que alguns químicos sintéticos espalhados mundialmente têm uma estrutura molecular parecida com os hormônios naturais, como o estrógeno e a testosterona.
Os hormônios funcionam como mensageiros da herança genética, e os químicos interferem nesse processo, alterando o conteúdo da mensagem.
Em 1996, um grupo de pesquisadores norte-americanos – Theo Colborn, Diane Dumanoski e John Peterson Myers – lançou o livro “O Futuro Roubado”, tratando dessa temática, com um apêndice na edição brasileira de José Lutzenberger.
No Brasil o livro foi lançado em 2002.

Prático e barato
O problema é que a indústria se interessa por custo/benefício. Os aditivos dão consistência aos alimentos, não deixam a mostarda e a maionese virar uma gororoba, a carne e os produtos curados, como salsichas, mortadela, salames, perderam a cor vermelho-rosada.
Os sorvetes não ficam com espuma, as sopas e caldos tem um cheiro maravilhoso.
Fiquei enjoado de tanto ler sobre aditivos químicos nos últimos tempos. O mais impressionante, dos mais de 40 trabalhos que repassei, é a declaração da supervisora de marketing, da Química Anastácio (SP), para a revista Química e Derivados:

“O nitrito de sódio é o principal aditivo usado em produtos cárneos, é o agente conservante de todos os produtos curados, promove a coloração vermelho-rosada nas curas e nos crus e o róseo avermelhado nos cozidos, além do sabor característico. Realmente esses produtos são considerados carcinogênicos, porém os grandes frigoríficos os utilizam pelo fato de não ter substituto no mercado. Mas devem ser usados com responsabilidade, respeitando os limites máximos de 0,015g por 100g e 0,03g por 100g, nos casos do nitrito e nitrato de sódio”, disse Alessandra Fernandes Guerra.
A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (PROTESTE) tem trabalhos que mostram a capacidade dos nitritos e nitratos de sódio de reagir com certas substâncias presentes nos alimentos, que são as aminas, e se transformam em nitrosaminas, potencialmente cancerígenas.

Danos cerebrais
Uma pesquisa de Sandrine Estella Peeters, da COPPE-UFRJ aborda o tema de como os aditivos químicos afetam a saúde.
Hiperatividade em crianças, citado como consequência de corantes em alimentos, além de dor de cabeça crônica.
Urticária, erupção da pele, câncer em animais, além de riscos de longo prazo de causar danos cerebrais. Este é o caso do glutamato de sódio, muito conhecido nos temperos, mas é utilizado em mais de cinco mil produtos.
Considerado como um agente capaz de produzir efeito neurotóxico. Em outra pesquisa, da Universidade Cândido Mendes, Roseane Menezes Debatin, tese de mestrado, comenta o seguinte sobre o glutamato de sódio:

“É um sal composto de uma molécula de ácido glutâmico ligada ao sódio. Tem um sabor adocicado, é um grande estimulante do paladar, suprimindo os gostos desagradáveis, levando a uma maior consumo de produtos industrializados. Usado em caldos, biscoitos, snacks, miojos, batata frita. O ácido glutâmico está envolvido na ativação de uma série de sistemas cerebrais, concernentes à percepção sensorial, memória, habilidade motora e orientação no tempo e espaço. Existem vários trabalhos científicos comprovando a neurotoxicidade do glutamato, principalmente na região do hipotálamo e no sistema ventricular”.
Nos Estados Unidos, o glutamato foi retirado dos alimentos infantis em 1969. A Ajinomoto maior indústria do ramo — 107 fábricas em 23 países — que comercializa o produto informa que o consumo no mundo cresce 5% anualmente.

Lista interminável
Os antioxidantes, usados na conservação, interferem no metabolismo, produzem aumento de cálculos renais, ação tóxica sobre o fígado e reações alérgicas, conforme a pesquisa da COPPE.
Os conservantes, como o ácido benzoico, um dos mais usados, produzem irritação da mucosa digestiva, outros produzem irritações nas células que revestem a bexiga, podendo atuar na formação de tumores vesicais.
As gorduras hidrogenadas provocam o risco de doenças cardiovasculares e obesidades. E os adoçantes artificiais, substitutos do açúcar, estão relacionados com a diabete, obesidade e o aumento de triglicerídeos (gordura na corrente sanguínea).
Sobre os adoçantes, o professor e doutor em ciência de alimentos da Unicamp, Edson Creddio, comenta o seguinte:

“Os adoçantes são medicamentos que devem ser usados por pessoas com diabetes e hipoglicemia e não por todas as pessoas, inclusive crianças, como se fossem totalmente isentos de risco. Esta substância é vista pelo público leigo como panaceia passada pela mídia com a imagem que levará o usuário a ter um corpo perfeito”.
Os adoçantes artificiais mais usados são a sacarina, que é 500 vezes mais potente que o açúcar, o aspartame, como diz o professor, que é 150 a 200 vezes mais doce, além do ciclamato e o acessulfamo-k, também muito mais doce que o açúcar.
Estão presentes nos refrigerantes, bebidas isotônicas, sucos preparados, e demais industrializados.

Sódio em demasia
Fiz uma relação com 14 grupos de aditivos mais usados nos alimentos consumidos atualmente. Os conservantes aumentam o prazo de validade, os estabilizantes mantêm as emulsões homogêneas vamos dizer, os corantes acentuam e intensificam a cor natural para melhorar a aparência e fazer o consumidor acreditar que está levando algo novíssimo.
Os antioxidantes evitam a decomposição, os espessantes dão consistência ao alimento e os emulsificantes aumentam a viscosidade do produto.
Os agentes quelantes protegem os alimentos de muitas reações enzimáticas e os flavorizantes tem o papel de realçar o odor e o sabor dos alimentos.
Já os edulcorantes são usados em substituição ao açúcar e os acidulantes utilizados para acentuar o sabor azedinho do alimento.
Os umectantes mantêm a umidade e a maciez, os clarificantes retiram a turbidez, os agentes de brilho mantém a aparência brilhante e os polifosfatos são usados para reter a água, no caso dos congelados, como o frango e nos produtos curados.
No Brasil, a ANVISA desde 2011 negocia com a indústria de alimentos para diminuir a quantidade de sódio dos alimentos industrializados.
Não há nem meta nem prazo para chegar a um nível aceitável.
Numa pesquisa realizada em 2011, com 496 produtos das regiões nordeste, sudeste e sul foram encontradas entre produtos de diferentes empresas quantidades 10 vezes maiores nos queijos tipo minas frescal, parmesão e ricota.
No entanto, as menores diferenças na quantidade usada de sódio entre os mesmos produtos de diferentes empresas chegaram a 40% no caso das mortadelas, macarrão instantâneo e bebidas lácteas.
O teor de sódio mais elevado foi registrado no queijo parmesão inteiro e ralado, macarrão instantâneo, mortadela, maionese e biscoito de polvilho.
Informa a ANVISA: o sódio é um constituinte do sal, equivalente a 40% da sua composição, sendo um nutriente de preocupação para a saúde pública, que está diretamente relacionado ao desenvolvimento de doenças como hipertensão, cardiovasculares e renais.
Na tabela de informação nutricional dos alimentos, que deve estar no rótulo, consta a quantidade de sódio. Para ser isento não pode ter mais de 5mg por 100g de alimento.
Se tiver 40mg na mesma proporção é muito baixo e 120mg é considerado baixo.
Na pesquisa da ANVISA o teor médio de sódio do macarrão instantâneo foi de 1.798mg por 100g, da mortadela foi de 1.303mg por 100g e o da maionese 1.096mg por 100g.


30 setembro 2013

Estou em tratamento contra o câncer. O que posso fazer para auxiliar no processo?



Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de câncer – seja ele de que tipo for – muitas perguntas costumam surgir: Por que eu? O que fiz para merecer isso?  Será que vou morrer?

São perguntas comuns.

Mas uma pergunta, que geralmente fica sem resposta, é: O que causou meu câncer? Dá para saber?
Em alguns casos, sim, é possível: quando uma pessoa ficou exposta a radiação excessiva, por exemplo, ou pelo fumo; mas em geral é muito difícil saber o que causou. Por quê? Porque as causas do câncer são variadas: a origem pode ser genética; de estilo de vida (alimentação, fumo, estresse); pode ser de origem emocional também, seja em função de determinadas características da personalidade ou em virtude de um trauma muito intenso. A causa pode não ser uma só, mas a soma de um conjunto delas. Por exemplo, uma pessoa com alto nível de estresse, sedentária, habituada a uma alimentação rica em químicos, com baixa imunidade e que, de repente, sofra um trauma emocional intenso. A chance de desenvolvimento de um câncer numa pessoa nessas condições é maior.
Mas de repente pode acontecer o contrário: uma pessoa com um estilo de vida saudável, praticante de exercícios físicos regulares, alimentação natural, sem nenhum problema emocional conhecido, de repente, desenvolve um câncer. E aí? Realmente nem sempre dá para saber.
No entanto, as pesquisas já identificaram tantas formas de ajudar no combate a essa doença que o melhor que podemos fazer para auxiliar no tratamento ou mesmo para prevenir o surgimento da doença é tentar aliar o máximo de atitudes anticâncer possíveis e, com isso, ter uma atitude proativa.

O poder está em nossas mãos!

O que podemos fazer?
  • Buscar uma alimentação o mais possível natural e livre de aditivos químicos;
  • Não fumar (isso todo mundo já sabe);
  • Praticar exercícios físicos;
  • Praticar meditação, ioga ou outras práticas que ajudem a reduzir o estresse e aumentar a consciência.
  • Buscar apoio psicológico para ajudar a lidar com as dificuldades de ordem emocional.

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A partir de hoje vamos começar a ver cada uma dessas atitudes, começando pela alimentação. Este estudo baseia-se em diversas obras, mas, principalmente, no livro Anticâncer: prevenir e vencer usando nossas defesas naturais, de David Servan-Schreiber, cuja leitura recomendo fortemente tanto para quem já está enfrentando a doença quanto quem quer preveni-la.

Aqui vai uma mensagem do próprio autor.






Então acompanhem os próximos posts!





06 setembro 2013

O impacto da meditação no tratamento do câncer

A meditação tem origem obscura. Entretanto, os mais antigos textos médicos conhecidos, escritos há cerca de 1000 anos antes de Cristo, referentes à medicina ayurvédica indiana, já incluíam a prática de meditação como um procedimento valioso para a manutenção e a recuperação da saúde. Nos últimos 35 anos, a meditação passou a ser crescentemente adotada no ocidente como método terapêutico complementar, o que despertou o interesse da comunidade científica, que já divulgou os resultados de suas pesquisas em mais de 1600 publicações. Atualmente, a prática de meditação é utilizada rotineiramente como terapia complementar em centenas de centros médicos, inclusive naqueles associados às mais prestigiosas universidades do mundo como Harvard e Oxford.

Mas o que é meditação? O fluxo constante e caótico de pensamentos em nossa mente impede que nos concentremos naqueles que são mais importantes, ou seja, compromete nossa atenção e concentração, além de causar intenso cansaço mental e gerar ansiedade e frustração, porque não conseguimos achar as soluções necessárias, já que novos pensamentos surgem continuadamente atropelando os anteriores. A consequente exaustão mental, que evolui para a exaustão física, associadas à ansiedade e ao sentimento de frustração, acabam por comprometer os sistemas de defesa do organismo e tornar o indivíduo suscetível a uma grande variedade de doenças. Esta sequência de eventos danosos à saúde pode ser revertida pela meditação. Meditar consiste em focalizar a mente, o que leva a um estado de relaxamento mental e físico que, por sua vez, facilita alcançar um estado de grande serenidade, que induz ao estado meditativo. Neste, perde-se a noção de tempo, espaço e corporeidade, a consciência se expande e advém um estado de profunda paz. Essas sensações de serenidade e paz, entre outras emoções positivas induzidas pela meditação, exercem impacto altamente benéfico sobre o sistema imunoneuroendócrino, capaz de concorrer, de maneira decisiva, para a manutenção e recuperação da saúde.

São várias as doenças em que a meditação exerce um efeito positivo nas pessoas, entre elas o câncer. Células mutantes, com potencialidade para se transformar em células cancerígenas, surgem diariamente em nosso organismo, mas são eliminadas por nossos mecanismos de defesa, principalmente aqueles associados ao sistema imunitário. As células imunitárias têm capacidade de detectar e destruir as células mutantes e, desta maneira, impedem o aparecimento do câncer. Além disso, mesmo após o estabelecimento do câncer e, eventualmente de metástases, as células tumorais continuam sendo monitoradas e podem ser eliminadas pelo sistema imunitário. Acontece que as emoções negativas, como ansiedade, tristeza, mágoa, ressentimento, culpa e medo, bloqueiam o sistema imunitário, tornando-nos suscetíveis a doenças, inclusive o câncer. A meditação tem a capacidade de transformar as emoções negativas em positivas, tornando as pessoas mais serenas, intuitivas, sensíveis, amorosas e felizes. Tais emoções positivas alimentam o sistema imunitário, que passa a exercer sua função protetora de maneira eficiente, evitando o adoecimento e mesmo fazendo reverter doenças já estabelecidas. Este efeito, aparentemente milagroso, tem recebido o embasamento teórico e experimental da nova ciência da psiconeuroendocrinoimunologia, que estuda os efeitos das emoções sobre os sistemas de defesa do organismo. Parte da atividade benéfica da meditação em pessoas com câncer deve-se à redução do tônus simpático, associado à ansiedade, e aumento da atividade parassimpática, associada à tranquilidade, além de aumento do hormônio melatonina, que apresenta atividades estimuladora do sistema imunitário, antitumoral e bloqueadora do efeito imunodepressor da ansiedade.

Autores:
Eduardo Tosta é médico, pesquisador e professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília.
Juarez Castellar é médico e doutorando do Programa de Ciências Médicas, Faculdade de Medicina, UnB.