30 setembro 2013

Estou em tratamento contra o câncer. O que posso fazer para auxiliar no processo?



Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de câncer – seja ele de que tipo for – muitas perguntas costumam surgir: Por que eu? O que fiz para merecer isso?  Será que vou morrer?

São perguntas comuns.

Mas uma pergunta, que geralmente fica sem resposta, é: O que causou meu câncer? Dá para saber?
Em alguns casos, sim, é possível: quando uma pessoa ficou exposta a radiação excessiva, por exemplo, ou pelo fumo; mas em geral é muito difícil saber o que causou. Por quê? Porque as causas do câncer são variadas: a origem pode ser genética; de estilo de vida (alimentação, fumo, estresse); pode ser de origem emocional também, seja em função de determinadas características da personalidade ou em virtude de um trauma muito intenso. A causa pode não ser uma só, mas a soma de um conjunto delas. Por exemplo, uma pessoa com alto nível de estresse, sedentária, habituada a uma alimentação rica em químicos, com baixa imunidade e que, de repente, sofra um trauma emocional intenso. A chance de desenvolvimento de um câncer numa pessoa nessas condições é maior.
Mas de repente pode acontecer o contrário: uma pessoa com um estilo de vida saudável, praticante de exercícios físicos regulares, alimentação natural, sem nenhum problema emocional conhecido, de repente, desenvolve um câncer. E aí? Realmente nem sempre dá para saber.
No entanto, as pesquisas já identificaram tantas formas de ajudar no combate a essa doença que o melhor que podemos fazer para auxiliar no tratamento ou mesmo para prevenir o surgimento da doença é tentar aliar o máximo de atitudes anticâncer possíveis e, com isso, ter uma atitude proativa.

O poder está em nossas mãos!

O que podemos fazer?
  • Buscar uma alimentação o mais possível natural e livre de aditivos químicos;
  • Não fumar (isso todo mundo já sabe);
  • Praticar exercícios físicos;
  • Praticar meditação, ioga ou outras práticas que ajudem a reduzir o estresse e aumentar a consciência.
  • Buscar apoio psicológico para ajudar a lidar com as dificuldades de ordem emocional.

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A partir de hoje vamos começar a ver cada uma dessas atitudes, começando pela alimentação. Este estudo baseia-se em diversas obras, mas, principalmente, no livro Anticâncer: prevenir e vencer usando nossas defesas naturais, de David Servan-Schreiber, cuja leitura recomendo fortemente tanto para quem já está enfrentando a doença quanto quem quer preveni-la.

Aqui vai uma mensagem do próprio autor.






Então acompanhem os próximos posts!





06 setembro 2013

O impacto da meditação no tratamento do câncer

A meditação tem origem obscura. Entretanto, os mais antigos textos médicos conhecidos, escritos há cerca de 1000 anos antes de Cristo, referentes à medicina ayurvédica indiana, já incluíam a prática de meditação como um procedimento valioso para a manutenção e a recuperação da saúde. Nos últimos 35 anos, a meditação passou a ser crescentemente adotada no ocidente como método terapêutico complementar, o que despertou o interesse da comunidade científica, que já divulgou os resultados de suas pesquisas em mais de 1600 publicações. Atualmente, a prática de meditação é utilizada rotineiramente como terapia complementar em centenas de centros médicos, inclusive naqueles associados às mais prestigiosas universidades do mundo como Harvard e Oxford.

Mas o que é meditação? O fluxo constante e caótico de pensamentos em nossa mente impede que nos concentremos naqueles que são mais importantes, ou seja, compromete nossa atenção e concentração, além de causar intenso cansaço mental e gerar ansiedade e frustração, porque não conseguimos achar as soluções necessárias, já que novos pensamentos surgem continuadamente atropelando os anteriores. A consequente exaustão mental, que evolui para a exaustão física, associadas à ansiedade e ao sentimento de frustração, acabam por comprometer os sistemas de defesa do organismo e tornar o indivíduo suscetível a uma grande variedade de doenças. Esta sequência de eventos danosos à saúde pode ser revertida pela meditação. Meditar consiste em focalizar a mente, o que leva a um estado de relaxamento mental e físico que, por sua vez, facilita alcançar um estado de grande serenidade, que induz ao estado meditativo. Neste, perde-se a noção de tempo, espaço e corporeidade, a consciência se expande e advém um estado de profunda paz. Essas sensações de serenidade e paz, entre outras emoções positivas induzidas pela meditação, exercem impacto altamente benéfico sobre o sistema imunoneuroendócrino, capaz de concorrer, de maneira decisiva, para a manutenção e recuperação da saúde.

São várias as doenças em que a meditação exerce um efeito positivo nas pessoas, entre elas o câncer. Células mutantes, com potencialidade para se transformar em células cancerígenas, surgem diariamente em nosso organismo, mas são eliminadas por nossos mecanismos de defesa, principalmente aqueles associados ao sistema imunitário. As células imunitárias têm capacidade de detectar e destruir as células mutantes e, desta maneira, impedem o aparecimento do câncer. Além disso, mesmo após o estabelecimento do câncer e, eventualmente de metástases, as células tumorais continuam sendo monitoradas e podem ser eliminadas pelo sistema imunitário. Acontece que as emoções negativas, como ansiedade, tristeza, mágoa, ressentimento, culpa e medo, bloqueiam o sistema imunitário, tornando-nos suscetíveis a doenças, inclusive o câncer. A meditação tem a capacidade de transformar as emoções negativas em positivas, tornando as pessoas mais serenas, intuitivas, sensíveis, amorosas e felizes. Tais emoções positivas alimentam o sistema imunitário, que passa a exercer sua função protetora de maneira eficiente, evitando o adoecimento e mesmo fazendo reverter doenças já estabelecidas. Este efeito, aparentemente milagroso, tem recebido o embasamento teórico e experimental da nova ciência da psiconeuroendocrinoimunologia, que estuda os efeitos das emoções sobre os sistemas de defesa do organismo. Parte da atividade benéfica da meditação em pessoas com câncer deve-se à redução do tônus simpático, associado à ansiedade, e aumento da atividade parassimpática, associada à tranquilidade, além de aumento do hormônio melatonina, que apresenta atividades estimuladora do sistema imunitário, antitumoral e bloqueadora do efeito imunodepressor da ansiedade.

Autores:
Eduardo Tosta é médico, pesquisador e professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília.
Juarez Castellar é médico e doutorando do Programa de Ciências Médicas, Faculdade de Medicina, UnB.