29 fevereiro 2012

Enfrentando a perda





Em algum momento de nossas vidas nós experimentamos a perda de algo ou alguém que amamos. Essa perda pode nos pegar de surpresa e nesse contexto nós também precisamos lidar com as emoções de choque e desalento. Ou pode tomar a forma de um período mais longo durante o qual nos conscientizamos de que estamos a ponto de perder algo que nos afeta de outras formas.

A Elisabeth Kübler-Ross credita-se a apresentação do que ela chamou de “os cinco estágios do luto”. Sua hipótese afirma que quando uma pessoa enfrenta a realidade da morte ou de outra perda iminente, ela passa por uma série de cinco estágios emocionais:
• negação;
• raiva;
• negociação;
• depressão;
• aceitação.

Em seu livro Sobre a morte e o morrer, Kübler-Ross afirmou que estas emoções podiam ser vivenciadas em qualquer ordem e que, na verdade, podiam-se vivenciar certas emoções repetidamente, por exemplo, experimentar a aceitação muito rapidamente durante o processo, depois passar a um período de raiva, em seguida cair em depressão, voltar à aceitação e então abraçar a negação, experimentando durante esses estágios aquilo que você necessita em um dado momento.
Seu trabalho transformou o modo como a medicina ocidental via o estado emocional de pessoas com diagnósticos terminais. Mais importante ainda, explicou nosso fluxo emocional quando estamos lidando com qualquer tipo de perda – seja a morte de um animal de estimação, de um amigo ou pessoa querida, a perda de um braço, de um emprego, um divórcio, nossa casa, nosso carro, a juventude, o cabelo, um relacionamento vital, um objeto valorizado e até mesmo um vício.

Há muitas outras emoções que também podemos sentir e não há nenhuma garantia de que alguém que esteja experimentando uma perda ou um acontecimento que altere sua vida sinta todas as cinco emoções, mas compreendê-las pode nos ajudar permitir-nos vivê-las sem julgar se são apropriadas ou não durante a vivência do luto.

Ao longo anos, ao experimentar perdas em minha própria vida, encontrei consolo no fato de que podia compreender melhor meu processo de luto. A chave, para mim, foi reconhecer o tempo que eu me demorava em uma determinada emoção e o que eu estava aprendendo sobre mim durante o processo. Para mim, lidar com o luto de uma maneira saudável significa não suprimir nem negar a emoção que estou sentindo num determinado momento. E minha maior lição na vida foi reconhecer que a profundidade da minha dor emocional era um reflexo direto da profundidade do amor que guardo no coração por aquele ser ou objeto que eu havia perdido. Em suma, quanto mais profunda a dor, maior o amor – e isto é motivo para celebrar. Quando você se perceber se delongando – o que considera ser – um tempo grande demais na dor, lembre-se de que o luto é o reconhecimento da profundidade da perda. Mas há outro lado nessa história… integrar os magníficos presentes que você recebeu daquilo que você perdeu – as doces lembranças, as alegrias do seu passado, os momentos especiais – e essa grandeza é algo para se comemorar.

Fonte: davidji.